NOSSA OPINIÃO

Uma Colaboração Periódica

EMBUSTE NACIONAL

O dicionário AURÉLIO nos ensina:

 

EMBUSTE: S.m. Mentira artificiosa; impostura, ardil, intrujice, embustice, embusteirice.

CIDADANIA: S.f. Qualidade ou estado de cidadão.

CIDADÃO: S.m. 1- Cidadão no gozo dos direitos civis e políticos de um "Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este" 2...

     Estes termos me afloraram ao cérebro, no instante em que eu atingia a um estado estarrecedor em decorrência a uma projeção de anúncio do Banco do Brasil. (01-06-06)

    A cena projetada tinha pessoas e coisas nas cores vede e amarela e também incluía, se não estou errado a bandeira nacional. O fundo musical era o Hino Brasileiro em ritmo de samba.

     Estavam usando cores, bandeira e hino para transmitir a idéia de um país alegre e descontraído. Porém não era um  aspecto sério e responsável como os símbolos nacionais devem representar.

     Era o Hino Nacional, alterado, dando suporte a emoções que estavam longe de mostrar a austeridade de uma nação. Eram as cores da bandeira brasileira e mais a própria dando suporte  a essas emoções pouco lisonjeiras de irresponsabilidade e prazeres.

     É compreensível que em momentos de alegria e ufanismo as emoções descambem para o informal e talvez passem a compor o comportamento correto da cidadania em razão do dinamismo da cultura.

   Note-se entretanto, que o legislador, sempre profundo conhecedor do espírito humano, prevendo o envolvimento dos símbolos nacionais em manifestações pouco condizentes com a austeridade que deve representar um Estado definiu em lei, o que pode e não pode para os símbolos nacionais. As emoções do anúncio em pauta não estão certamente incluídas.

     A nação brasileira por ocasião do falecimento do Presidente Tancredo Neves tomou conhecimento das críticas e do repúdio nacional a cantora Fafá de Belém por ter em um momento cívico, cantado o Hino Nacional em ritmo que não era o estabelecido em lei. Houve polêmica. A recriminação foi intensa.

     Eis que decorridos alguns anos, o fato se repete. Agora, não mais em razão da manifestação de uma artista. Sim, em razão, creio de polpudo contrato publicitário envolvendo a empresa responsável e o cliente, Banco do Brasil.

     É ai, nesse contexto, somos levados a usar os termos com que iniciamos esta matéria. Quer na prestadora de serviços, que no cliente, somente podemos admitir que haja embusteiros. Embuste, para alcançar lucros incompatíveis. Embuste por haver conhecimento, ou melhor, por inteiro desconhecimento do que seja cidadania.

    Ignorar a lei não exime de culpa. Como pode um cidadão trabalhar em comunicação sem conhecer a legislação que regula o uso dos símbolos nacionais?

     A nação brasileira é tão ciosa de seus símbolos que os mesmos são regulados em vários diplomas legais. O decreto que regula o protocolo da presidência da república, decreto 5.700, no regulamento de Honrarias e Continências do Exército, (R. Conti), o Cerimonial da Marinha. Repetidamente esclarecem os procedimentos corretos.

     As normas são as mesmas. Nenhuma admite o uso dos símbolos nacionais desvirtuados, alterados, e usados para promoções comerciais ou mesmo institucionais.

     A ressalva que estamos fazendo para falta de cidadania dos colaboradores da prestadora de serviços fazemos para os funcionários que trabalham cliente, o Banco do Brasil.

     Dirão seus defensores. "Os funcionários têm seus cargos em razão de severos concursos" e nós diremos "Que concurso esse que não afere o conhecimento da cidadania do candidato eficazmente". Acresce que a alta direção não é concursada. Galgam as altas posições que não excluem os "cidadãos" em razão de seleções subjetivas de altos mandatários. Nepotismo.

     Mandatários colaboradores assumem suas posições sem o mínimo pudor cultural. Exercem as funções que lhes são conferidos inteiramente destituídos do conhecimento do que é ser um "cidadão". Tornando-se assim verdadeiros embusteiros. Não sabem como julgar e aprovar os serviços que prestados por terceiros. Não sabem, insistimos, ser cidadãos. São embusteiros.

     Há uma atividade que procura resguardar de erros o uso dos símbolos nacionais. Trata-se da atividade do CERIMONIALISTA.

     Parece no entanto, que os senhores de posições de mando e os usufrutuários de contratos para prestação de serviço não querem sua colaboração.

     Desconhecem a função do Cerimonialista ou entendem que estes somente podem atrapalhar.

     Praticar cerimonial onde se pratica o embuste, onde se ignora o que é cidadania, torna-se uma verdadeira prebenda. Infelizmente o Embuste é Nacional. Felizmente o embuste não é total. Parece que pessoas de bom senso suspenderam de imediato o anúncio em foco.

Nelson Speers
Membro Honorário do CNCP

 


Nelson Speers
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